O que é carvão EGETAL ativado?
O carvão VEGETAL ativado é um pó preto, fino, puro, de grande porosidade, feito de carvão animal, cascas de coco, turfa, coque de petróleo, caroço de azeitona ou serragem. O carvão é "ativado" processando-o a temperaturas muito altas. As altas temperaturas alteram sua estrutura interna, reduzindo o tamanho de seus poros e aumentando sua área de superfície. Isso resulta em um carvão que é mais poroso que o carvão comum. Pode ser usado em pó ou granulado, conforme seja a finalidade do uso.
O carvão VEGETAL ativado é obtido a partir da queima de seus insumos a uma temperatura entre 800°C a 1000°C.
O carvão ativado funciona impedindo que toxinas e certos produtos químicos no intestino sejam absorvidos pelo organismo. A textura porosa do carvão tem uma carga elétrica negativa, o que faz com que ele atraia moléculas carregadas positivamente, como toxinas e certos gases. Isso ajuda a capturar toxinas e produtos químicos no intestino, impedindo a absorção deles. Como o carvão ativado não é absorvido pelo corpo, ele pode transportar as toxinas aderidas a ele para fora do corpo, nas fezes.
Usos médicos
O carvão vegetal ativado já foi considerado o antídoto universal contra venenos. Hoje em dia, continua a ser promovido como um tratamento natural potente, mas não mais universal. Além disso tem uma variedade de benefícios propostos, desde baixar o colesterol até clarear os dentes e curar ressacas. O carvão ativado tem também a capacidade de coletar seletivamente gases, líquidos e impurezas no interior dos poros.
Graças às suas propriedades de se ligar a toxinas, ele tem uma variedade de outros usos médicos. Isso porque pode se ligar a uma grande variedade de substâncias, neutralizando-as ou reduzindo seus efeitos. Ele pode ser usado, por exemplo, para tratar overdoses de drogas legais ou ilegais. Estudos mostram que se tomado em até cinco minutos após a ingestão da droga, o carvão ativado pode reduzir a absorção de drogas em adultos em até 74%. No entanto, o protocolo de administração deve obedecer à orientação médica, considerando que ele só é eficaz num número limitado de casos de envenenamento. Parece ter pouco efeito, por exemplo, sobre intoxicações por álcool, metais pesados, ferro, lítio, potássio, ácido ou álcali.
O carvão ativado também pode ajudar a promover a função renal, reduzindo o número de produtos residuais que os rins precisam filtrar. Isso pode ser particularmente benéfico em pacientes que sofrem de doença renal crônica, uma condição na qual os rins já não conseguem filtrar adequadamente as toxinas do corpo. Elas, então, podem passar da corrente sanguínea para o intestino e lá se ligam ao carvão ativado e são excretadas nas fezes.
O carvão ativado também pode ajudar a reduzir os odores emitidos por indivíduos que sofrem de trimetilaminúria, que é uma condição genética na qual a trimetilamina, um composto com um odor semelhante ao do peixe em decomposição, se acumula no corpo, dando origem a um odor desagradável de peixe na urina, no suor e no hálito.
O carvão ativado também pode ajudar a reduzir de maneira muito significativa os níveis de colesterol no sangue ao ligar-se no intestino ao colesterol e aos ácidos biliares que contêm colesterol, impedindo que o corpo os absorva.
Atualmente, seu uso está presente em produtos cosméticos com a finalidade de limpar a pele e o couro cabeludo, controlando a oleosidade. Não há comprovação científica para tal aplicação, mas ele também está sendo usado em dietas de emagrecimento.
Um médico deve acompanhar o uso do carvão ativado para que seus possíveis efeitos colaterais possam ser evitados.
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Usos não médicos do carvão ativado
O carvão ativado é também utilizado em sistemas de filtragem, tendo papel importante no tratamento de água e de efluentes (esgotos) e absorção de gases tóxicos resultantes de processos industriais. Contudo, é válido lembrar que o potencial do carvão é limitado e um filtro de carvão ativado deixa de ser eficiente e deve ser substituído se todos os poros de sua estrutura estiverem preenchidos.
O carvão ativado como medicação
O carvão vegetal ativado é a substância ativa dos medicamentos com os nomes comerciais “Carverol” e “Carvão vegetal ativado”. Eles têm a propriedade de unir substâncias à sua superfície, o que lhes permite fixar toxinas bacterianas, químicas irritantes e gases; atuam também como protetores das mucosas. São apresentados sob a forma de comprimido de 250mg.
Os usos aprovados pela ANVISA são: (1) casos em que se necessite da absorção de gases e toxinas, bem como auxilio no tratamento de enterites, colites e enterocolites, aerofagias e meteorismos; (2) antidoto inespecífico usado em várias intoxicações exógenas agudas.
A ANVISA não o reconhece como seguro e eficaz se for usado fora das indicações contidas na bula aprovada por esta agência. O uso para tratamento não aprovado pela ANVISA é de inteira responsabilidade do médico. Esse medicamento está incluído na lista de Assistência Farmacêutica do SUS na forma de apresentação em pó para uso oral.
Quais são os efeitos colaterais e as complicações com o uso de carvão ativado?
O carvão ativado é considerado seguro na maioria dos casos e as reações adversas são infrequentes e raramente severas. Ele pode causar alguns efeitos colaterais desagradáveis, os mais comuns dos quais são náuseas e vômitos. Além disso, constipação e fezes negras são dois outros efeitos colaterais comumente relatados.
Quando usado como um antídoto de emergência em casos de envenenamento, existe o risco de ele chegar aos pulmões, em vez do estômago. Isto é especialmente verdadeiro se a pessoa que o recebe vomitar ou estiver sonolenta ou semi-consciente. Além disso, o carvão ativado pode piorar os sintomas em indivíduos com porfiria (uma doença genética rara que afeta a pele, o intestino e o sistema nervoso). Em casos muito raros, o carvão ativado tem sido associado a bloqueios intestinais.
Deve ser ressaltado que o carvão ativado também pode reduzir a absorção de certos medicamentos e, portanto, os indivíduos que tomam medicamentos devem consultar o profissional de saúde antes de tomá-lo.
Veja também sobre "Porfiria" e "Colesterol alto".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte do site Healthline e, em parte, do site do Ministério da Saúde.



